
Os Jogos Olímpicos de 1968 foram realizados na Cidade do México, entre os dias 12 e 27 de outubro. Essa edição foi a XIX Olimpíada da era moderna e entrou para a história por vários motivos. Além de apresentar grandes momentos esportivos e novos recordes mundiais, os Jogos aconteceram em um período marcado por fortes conflitos políticos e sociais em diversas partes do mundo. A Olimpíada de 1968 também ficou conhecida por suas inovações, pela participação de atletas de diferentes países e por momentos de protesto que chamaram a atenção do mundo.
A Cidade do México foi escolhida como sede dos XIX Jogos Olímpicos na 60ª sessão do Comitê Olímpico Internacional, realizada em 18 de outubro de 1963 na cidade de Baden-Baden, na Alemanha Ocidental. Ela superou as candidaturas de Detroit, Buenos Aires e Lyon, obtendo a maioria absoluta dos votos já no primeiro turno da votação. Essa foi a primeira edição dos Jogos Olímpicos sediada na América Latina.
Um dos aspectos mais marcantes dos Jogos de 1968 foi a altitude da Cidade do México. A cidade está localizada aproximadamente 2.240 metros acima do nível do mar. Essa característica teve grande influência nas competições. O ar mais rarefeito dificultava algumas provas de resistência, como as corridas de longa distância, mas favorecia modalidades em que velocidade e explosão eram importantes, como os saltos e as corridas de curta distância. Essa altitude contribuiu para a quebra de diversos recordes. Um dos momentos mais impressionantes aconteceu no salto em distância masculino. O norte-americano Bob Beamon realizou um salto de 8,90 metros, e quebrou k recorde mundial. O feito superou a marca anterior em incríveis 55 centímetros, estabelecendo um recorde mundial que permaneceu imbatível por 23 anos e que ainda hoje figura como o recorde olímpico da modalidade.
O Contexto Político e o Protesto pelo Poder Negro
Contudo, a edição de 1968 não é lembrada apenas pelas marcas esportivas extraordinárias. O evento esteve imerso em um dos cenários geopolíticos mais turbulentos do século XX. Apenas dez dias antes da cerimônia de abertura, em 2 de outubro, o governo mexicano reprimiu violentamente uma manifestação estudantil no episódio que ficou conhecido como o Massacre de Tlatelolco, resultando em centenas de mortos e feridos. Apesar da tragédia e da tensão nas ruas da capital, o Comitê Olímpico Internacional optou por manter o cronograma dos Jogos.
No âmbito internacional, o mundo vivia o auge da Guerra Fria, com a recente invasão da Tchecoslováquia pelas tropas do Pacto de Varsóvia e as intensas mobilizações contra a Guerra do Vietnã. No entanto, o protesto mais emblemático dentro dos Jogos veio dos Estados Unidos.
Durante a entrega de medalhas da prova dos 200 metros rasos, os velocistas afro-americanos Tommie Smith (ouro) e John Carlos (bronze) subiram ao pódio descalços, usando meias pretas para simbolizar a pobreza da população negra. Quando o hino nacional norte-americano começou a tocar, ambos baixaram a cabeça e ergueram os punhos fechados usando luvas pretas — a famosa saudação associada ao movimento Black Power e à luta pelos direitos civis nos EUA. O medalhista de prata, o australiano Peter Norman, apoiou a causa usando um bóton do Projeto Olímpico pelos Direitos Humanos. Como consequência de seu ato, Smith e Carlos foram expulsos da Vila Olímpica pelo COI, mas a imagem do protesto rodou o planeta e tornou-se um dos símbolos mais marcantes da história do esporte moderno.
Inovações Tecnológicas e Legado Esportivo
Os Jogos do México também representaram uma revolução técnica na forma como as Olimpíadas eram disputadas e transmitidas:
- Cronometragem Eletrônica: Foi a primeira edição em que os tempos oficiais das provas de atletismo e natação foram aferidos inteiramente por sistemas eletrônicos automatizados, eliminando a dependência exclusiva dos cronômetros manuais.
- Transmissão Colorida: Os Jogos de 1896 a 1964 haviam sido acompanhados em preto e branco. Em 1968, as Olimpíadas foram transmitidas via satélite ao vivo e em cores para todo o mundo pela primeira vez.
- Pista de Tartan: A tradicional pista de cascalho e carvão foi substituída por uma superfície sintética de poliuretano (Tartan), o que ajudou significativamente no rendimento dos atletas de corridas rápidas.
- A Revolução no Salto em Altura: O norte-americano Dick Fosbury conquistou a medalha de ouro ao introduzir uma técnica completamente nova, saltando de costas sobre a fasquia. Batizada de Fosbury Flop, a técnica revolucionou a modalidade e tornou-se o padrão mundial utilizado até os dias atuais.
- Pioneirismo Feminino: A atleta mexicana Enriqueta Basilio entrou para a história como a primeira mulher a acender a pira olímpica na cerimônia de abertura de uma edição dos Jogos.
| Destaque Esportivo | Atleta / Delegação | Conquista / Impacto |
| Salto em Altura | Dick Fosbury (EUA) | Introdução do estilo Fosbury Flop e ouro com 2,24m |
| Salto Triplo | Nelson Prudêncio (Brasil) | Medalha de prata com quebra do recorde mundial durante a prova |
| Pira Olímpica | Enriqueta Basilio (México) | Primeira mulher a acender o fogo olímpico na abertura |
| Lançamento de Disco | Al Oerter (EUA) | Quarto tetracampeonato olímpico consecutivo (1956-1968) |
Com a cerimônia de encerramento no dia 27 de outubro, os Jogos da Cidade do México consolidaram-se como um divisor de águas. Eles demonstraram que o esporte de alto rendimento não pode ser isolado do contexto social e político de sua época, deixando um legado inestimável de superação física, inovação tecnológica e coragem civil.
Cidade do México-1968
Período de disputa: de 12 à 27 de outubro.
Número de Países: 112.
Número de atletas: 5.516.
Esportes: 20.
Eventos: 172.
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