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google.com, pub-4616029043996957, DIRECT, f08c47fec0942fa0 Paris-1990: a II Olimpíada

Paris-1990: a II Olimpíada

A História dos Jogos Olímpicos
Quatro anos depois da primeira edição dos Jogos olímpicos de 1986, foi realizada em Paris a segunda Olimpíada da era moderna, com a participação de 997 atletas de 24 países diferentes, que competiram em 19 modalidades: Atletismo, Cabo de guerra, Ciclismo, Críquete, Críquete, Esgrima, Futebol, Ginástica, Golfe, Hipismo, Natação, Pelota Basca, Polo, Polo aquático, Remo, Rugby, Tênis, Tiro, Tiro com arco e Vela. 

O evento tinha tudo para consolidar a visão do Barão Pierre de Coubertin em sua própria terra natal. No entanto, a trajetória daquela edição foi marcadamente atípica, desorganizada e quase acabou por ofuscar o próprio movimento olímpico antes mesmo que ele pudesse se firmar globalmente.

O principal motivo para a desorganização de 1900 foi a decisão do governo francês de incorporar as competições esportivas à Exposição Universal de Paris, uma megalomaníaca Feira Mundial que visava celebrar as conquistas tecnológicas, industriais e culturais do novo século. O comitê organizador da Exposição Universal assumiu o controle dos eventos e marginalizou a autoridade do Comitê Olímpico Internacional (COI). Com isso, o termo "Jogos Olímpicos" foi raramente utilizado no material promocional da época, sendo as disputas rotuladas simplesmente como "Concursos Internacionais de Exercícios Físicos e Esportes". A consequência disso foi tão profunda que dezenas de atletas competiram, venceram e voltaram para seus países de origem sem jamais saber que haviam participado de uma Olimpíada.

Diferente do formato concentrado e festivo que conhecemos hoje, que dura cerca de duas semanas, os Jogos de Paris de 1900 se arrastaram por mais de cinco meses, ocorrendo entre 14 de maio e 28 de outubro. As competições eram dispersas, sem uma rotina clara ou um cronograma unificado. Não houve cerimônia de abertura oficial, nem desfile formal das delegações, tampouco uma pira olímpica acesa. O público, muitas vezes alheio ao que estava acontecendo, dividia sua atenção entre as atrações da Feira Mundial e as provas esportivas espalhadas pela capital francesa e seus arredores, o que resultou em públicos mínimos para diversas modalidades.

Apesar do caos logístico, o evento alcançou um feito revolucionário: a inclusão histórica das mulheres nas disputas olímpicas. Pela primeira vez na história moderna, a ala feminina pôde competir oficialmente, quebrando barreiras em um ambiente predominantemente masculino. Das mais de 900 pessoas que participaram do evento, 22 eram mulheres. Elas marcaram presença em modalidades consideradas "apropriadas" pela sociedade da época, como o tênis, o golfe e o croquet. A tenista britânica Charlotte Cooper entrou para a história ao se tornar a primeira mulher a conquistar uma medalha de ouro olímpica individual.

As instalações esportivas para as provas em 1900 eram improvisadas e improvisadas de forma pitoresca. As provas de atletismo, por exemplo, não aconteceram em um estádio estruturado, mas sim no gramado irregular do Racing Club de France, no Bois de Boulogne. A pista não possuía marcações adequadas, os lançadores de disco e martelo frequentemente viam seus equipamentos ficarem presos nos galhos das árvores ao redor, e as provas de salto em distância exigiam que os atletas aterrisassem na terra batida.

Ainda mais inusitadas foram as competições aquáticas, realizadas diretamente no Rio Sena. Sem as piscinas modernas, os nadadores precisaram enfrentar as correntes naturais e as águas turvas do rio. O evento contou com modalidades exóticas que nunca mais seriam repetidas na história dos Jogos, como a corrida de obstáculos na água — na qual os nadadores precisavam subir em postes, escalar barcos e nadar por baixo de embarcações ancoradas — e a prova de natação subaquática, onde a pontuação combinava a distância percorrida abaixo da superfície com o tempo de apneia.

O programa de 1900 também ficou famoso por integrar esportes e modalidades bizarras que refletiam os hobbies e a cultura de lazer da Belle Époque. Entre as disputas que mais tarde foram descontinuadas ou classificadas apenas como exibições estavam o tiro ao pombo vivo (que resultou no abate de centenas de aves), o cabo de guerra, a pesca esportiva, o voo de balão, o automobilismo e até a corrida de pombos correios. O croquet, disputado majoritariamente por atletas franceses, registrou um fato curioso: apenas um único ingresso foi vendido durante toda a competição para um espectador pagante, um cidadão inglês que viajou especialmente para assistir ao torneio.

Entre os desempenhos individuais de destaque, o norte-americano Alvin Kraenzlein sagrou-se o grande nome das pistas de atletismo. Kraenzlein dominou as provas de velocidade e salto, conquistando quatro medalhas de ouro individuais nas corridas de 60 metros, 110 metros com barreiras, 200 metros com barreiras e no salto em distância. Sua marca de quatro vitórias individuais em um único evento de atletismo permanece até hoje como um recorde invicto na história olímpica moderna.

Outra história memorável daqueles Jogos envolveu a final do remo na modalidade de "dois com timoneiro". A equipe holandesa percebeu que seu timoneiro original era pesado demais e comprometia o tempo da embarcação. Decidiram, então, substituí-lo no último momento por um jovem garoto francês que passeava pelas margens do rio. A dupla venceu a prova, e o menino, cuja idade é estimada entre 7 e 12 anos, participou da foto histórica da vitória, tornando-se possivelmente o campeão olímpico mais jovem de todos os tempos, embora sua identidade permaneça um mistério não resolvido até os dias de hoje.

Ao final de quase seis meses, a França liderou com folga o quadro geral de medalhas, impulsionada pelo enorme número de atletas locais inscritos. Naquela época, contudo, não existia o conceito de pódio como conhecemos atualmente e as tradicionais medalhas de ouro, prata e bronze não foram distribuídas padronizadamente. Em vez disso, muitos vencedores receberam taças, quadros, obras de arte, certificados, objetos de prata ou medalhas retangulares feitas de bronze e prata.

Embora o Barão de Coubertin tenha ficado profundamente desapontado com o desinteresse dos organizadores da Exposição Universal e com a perda de identidade dos Jogos, a edição de 1900 desempenhou um papel vital de sobrevivência. Apesar de todos os improvisos, o número de atletas (mais de mil) e de nações participantes (24 países) foi significativamente maior do que na edição de 1896. Paris 1900 provou que o ideal olímpico era resiliente o bastante para sobreviver ao caos e abriu precedentes históricos indispensáveis — sobretudo a participação feminina —, ajudando a pavimentar o caminho para a consolidação e a profissionalização do esporte no século XX.



Paris-1900 


Período: 14/05 a 28/10/1900
Países participantes: 24
Número de atletas: 997
Esportes: 19
Eventos: 75


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